No Fake Science

Nós, comunidade científica, jornalistas e cidadãos/cidadãs preocupado(a)s, lançamos um sinal de alarme sobre o tratamento da informação cientifica nos média bem como o lugar que lhe é dado nos debates de sociedade. Numa época em que a desconfiança face aos média e as instituições chega ao cúmulo, pedimos que seja posta em causa toda a cadeia de informação para que os temas com carácter científico possam ser restituídos a todo(a) sem deformação sensacionalista nem ideológica e que a confiança possa ser restaurada a longo prazo entre a comunidade cientifica, média e cidadãos/cidadãs.

Numa democracia, os jornalistas têm o peso da responsabilidade porque, da liberdade da qual dispõem bem como da qualidade da informação divulgada, depende a qualidade do debate público e das escolhas que decorrem disso. O método científico, do seu lado, permite de produzir conhecimentos fiáveis que possam servir de base de reflexão para políticos públicos que dizem respeito a questões complexas tais como a alimentação, a saúde pública ou a ecologia [1]. Parece então óbvio que científicos e jornalista têm de trabalhar de mãos dadas: os primeir(a)s não se podem isolar mediaticamente falando por receio de ver os seus trabalhos distorcidos, os secundo(a)s não podem caricaturar nem o trabalho dos primeiros, nem os seus fatos.

É sobre este último ponto que alertamos os actores e actrizes das médias. Assistimos hoje em dia a uma perversão crescente do trabalho dos científicos, os resultados são só, em muitos casos, destacados se confortarem as opiniões persistentes. Em caso contrário, alguns/ algumas irão subentender qualquer remuneração para um lóbi malévolo. Temos de ser coerentes: o estado dos nossos conhecimentos não se pode comparar a um supermercado no qual só escolhemos o que nos convêm e deixar na prateleira o que contradiz as nossas opiniões. Existe de fato consensos científicos sobre assuntos tão diversos como:

  • A saúde:
    • A balança benefício/risco das principais vacinas é inapelável e a favor da vacinação [2,3].
    • Não existe nenhuma prova de eficácia própria dos produtos homeopáticos [4].
  • A agricultura:
    • Face às exposições profissionais e alimentares correntes, as diferentes autoridades encarregadas de avaliar o risco ligado ao glifosate consideram improvável consideram improvável que represente um risco cancerígeno para o humano [5,6,7].
    • O fato que um organismo seja geneticamente modificado (OGM) não apresenta em si um risco para a saúde [8].
  • As alterações climáticas:
    • As alterações climáticas são reais e principalmente de origem humana [9].
    • A energia nuclear é uma tecnologia com emissão de CO2 fraca e pode contribuir à luta contra as alterações climáticas [10].

Não são simples opiniões. São conclusões resultantes da literatura científica e apoiada por instituições científicas fiáveis como a WHO, a Academia Europeia das ciências, a Academia Nacional de Medicina da França, a Academia de Agricultura da França ou ainda o IPCC.

Naturalmente, a ciência não tem respostas a tudo. Existem questões que não chegaram a um consenso claro ao mesmo que ficaram sem resposta. É claramente legítimo para um media de apresentar e de explicar o debate que decorre. Se um consenso existe, o ou a jornalista tem de ser capaz de o identificar, de procurar entendê-lo e de comunica-lo. Não é desejável do tanto peso a um fato científico devidamente estabelecido à sua negação. Seria impensável por exemplo que ao fim de 15 minutos sobre um assunto sobre a estação orbital internacional, se dê 15 minutos de antena a um(a) adepto(a) da Terra plana.

Compreendemos que “vendedore(a)s de dúvidas”, incluído alguns/algumas cientifico(a)s, sejam tentados e tentem ainda de desviar o público do consenso. Todavia, os jornalistas enganam –se no alvo se acham que os científicos são os inimigos, estes últimos arriscariam de se desviar ainda mais dos jornalista. Por ultimo, sublinhámos a diferença entre as escalas de tempo cientifico e mediático. A supra-interpretação dos resultados preliminares e pequenos avanços imediatamente desmentidos ou matizados baralham a mensagem dirigida ao público. Se é legítimo de procurar a informar nos mais curtos prazos, esta reactividade pode tornar-se contra-produtiva, em particular semas chaves de compreensão da actualidade cientifica.

É urgente que o lugar da informação científica nos médias e nos espaço público seja revista, para evitar de aumentar o fosso entre os científicos e os jornalistas. Reflictamos juntos À forma de dar a ciência o seu devido lugar. Para um debate apaziguado e racional, para o bem na nossas vidas politicas, para os nossos concidadãos/ concidadãs ! A ciência não tem pátria” disse Louis Pasteur. Acrescentaríamos que não poderia ter uma tendência ideológica.

[1] Assemblée Nationale
Résolution sur les sciences et le progrès dans la République. Regular Session of Assemblée National, february 21st, 2017.

[2] Académie nationale de Médecine, Académie des Sciences
Les difficultés de l’information du public sur les vaccinations. Académie nationale de médecine - Académie des Sciences. Novembre 2011.

[3] WHO
10 threads to global health in 2019. World Health Organisation. Accessed february 20th, 2019.

[4] EASAC
Homeopathy: harmful or helpful? European scientists recommend an evidence-based approach. European Academies Science Advisory Council. Press release, September 20th, 2017.

[5] EFSA Journal
Conclusion on the peer review of the pesticide risk assessment of the active substance glyphosate. European Food Safety Agency (EFSA). EFSA Journal, november 12th, 2015.

[6] FAO
FAO specifications and evaluations for agricultural pesticides - Glyphosate. Accessed february 20th, 2019.

[7] ANSES
Avis de l’Anses sur le caractère cancérogène pour l’homme du glyphosate. Agence Nationale de Sécurité Sanitaire alimentation, environnement, travail. February 12th, 2016.

[8] WHO
Food Safety – Frequently asked questions on genetically modified foods. World Health Organisation. May, 2014.

[9] IPCC
Climate Change 2013: The Physical Science Basis. Working Group I contribution to the Fifth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change, 2013.

[10] IPCC
An IPCC Special Report on the impacts of global warming of 1.5°C above pre-industrial levels and related global greenhouse gas emission pathways, in the context of strengthening the global response to the threat of climate change, sustainable development, and efforts to eradicate poverty. Chapter 2 : Mitigation Pathways Compatible with 1.5°C in the Context of Sustainable Development. International Panel on Climate Change. Accessed february 20th, 2019.


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